2014: UM ANO PARA NÃO ESQUECER

Por José Reinaldo Tavares

O magnífico discurso proferido por um emocionado Flávio Dino na cerimônia de diplomação dos eleitos neste ano mostrou que o futuro governador – hoje sem sombra de dúvidas o maior e mais popular líder político do estado – está atento a realidade de um estado dominado pela pobreza, mas pela esperança de que tudo vai mudar.

Ao falar sobre o significado do diploma que acabara de receber, deu a essência do que norteará suas ações no governo. Ali simbolicamente estavam os Josés, as Marias os Raimundos e todas aquelas pessoas do povo que o receberam em suas andanças, nas portas de suas casas humildes e que diziam que oravam por ele, que acreditavam nele, que precisavam dele. Isto reafirma mais uma vez que o mais importante a fazer é dar àquelas pessoas a oportunidade de uma vida digna, o que nunca tiveram nesses anos de domínio absoluto da família Sarney.

E foram exatamente esses anos de domínio, sobretudo nos governos de Roseana Sarney e Lobão, na década de 90, que, de tão ruins para a população, foram chamados de década perdida. Já nos tempos mais recentes, depois do golpe jurídico que tirou Jackson lago do governo, tudo se agravou. Quanto a tal década perdida, eu, no meu governo, reverti a situação vexaminosa e Jackson continuou esse trabalho de recuperação. Contudo, a volta de Roseana Sarney ao governo pôs tudo a perder e o Maranhão está chegando ao fundo de um poço muito profundo de pobreza, corrupção e indiferença.

Só para citar indicadores mais recentes – divulgados agora – o Maranhão tem o maior contingente de pessoas passando fome ou com muita dificuldade para obter a alimentação de cada dia. Na verdade quase metade da população enfrenta muitas dificuldades todos os dias. Outro dado terrível é que temos o maior número de miseráveis entre todos os estados brasileiros comparativamente à sua população e mais da metade de nossos jovens estudantes não conseguem interpretar um texto. Vou me deter aqui, mas tudo é muito ruim, qualquer indicador social. Isso sem falar que temos a pior renda individual do país.

É esse quadro desolador que o novo governador vai encontrar. E o pior é que tudo está envolto em mistério, nada de relevante é fornecido, como se quisessem atrapalhar o Maranhão pela última vez em uma despedida melancólica e sem sentido. Contudo, nada disso fará mudar a realidade do descalabro financeiro que querem ocultar até a última hora, dos malfeitos, das coisas sem explicação, dos desvios de finalidade, prática comum do governo que sai, encerrando esse ciclo sombrio de poder que nos deixa uma herança maldita.

E isso se dá em todos os setores governamentais. Pouco se pode aproveitar e quase nada, continuar. É como se no Maranhão tudo precisasse começar do zero. Ou “menos de zero” em alguns setores.

No setor do gás, por exemplo, uma riqueza estratégica e fundamental foi toda entregue a Eyke Batista, o empresário amigo e maior financiador das campanhas da família, para usar como quisesse, como se dele fosse. E então todo o gás até aquele momento disponível foi usado para gerar energia em termelétricas que não deixam nada para o Maranhão. Vamos ter muito trabalho e colaboração, inclusive das empresas que hoje sucederam o ex-megaempresário, a fim de disponibilizarmos um pouco do gás maranhense para atender os verdadeiros interesses do estado, ou seja, a industrialização, os empregos e a renda.

Flávio confirma cada vez mais que está preparado para governar e enfrentar os desafios. Acredito que fará um governo marcante que mudará o Maranhão.

A cerimônia de diplomação dos eleitos foi um momento de recordações para todos nós. Lembrei-me de tudo que tive que passar desde que houve o rompimento com a família Sarney até aquele momento. Para mim tudo aquilo tinha um sabor especial, de reconhecimento pela minha participação na saga recente do Maranhão. Fiquei muito feliz de estar ali naquele instante.

Sei que despertei ódios imensos, afinal foram duas vitórias que tivemos, esta última definitiva. Entretanto, sei que, enquanto tiverem algum poder, serei sempre o alvo maior e que esse capítulo pessoal ainda não se encerrou. Minha vida sempre foi de lutas e estarei sempre pronto para enfrentar a ira dos poderosos.

Obrigado, Maranhão, pelo apoio que sempre recebi da população!

Feliz Natal a todos!

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UM CONVITE IRRECUSÁVEL

José Reinaldo Tavares

Temos observado nas últimas semanas um festival de mentiras sendo desfiadas na imprensa por meio de peças publicitárias sobre o governo de Roseana Sarney, tudo lavra de seus marqueteiros. Essas peças, no afã frenético de querer substituir quatro anos de descalabro administrativo, omissões e grande desperdício de dinheiro público, exibem dados totalmente enganadores e sem consistência.

Porém, como a mentira tem pernas curtas, eis que a Folha de São Paulo do último sábado, dia 29, publicou um estudo sobre a situação da miséria no Brasil por estados, encomendado ao IETS – Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, subsidiado por informações da PNAD e do IBGE, comparando os dados de 2012 com 2013, portanto, são dados muito recentes.

Agora se lembrem de que a vibrante e mentirosa propaganda da governadora diz que no governo dela dois milhões de pessoas saíram da miséria, um portento digno de alardear. Pena que seja tudo uma mentira deslavada! E olhem que a referência para ter saído da miséria é ganhar 70 reais por mês!

Pois bem, sabem qual é a verdade? O Maranhão foi o segundo estado que mais piorou em números absolutos de pessoa consideradas miseráveis. Em contrapartida, foi o primeiro pior em números relativos à sua população. Ou seja, havia 753 mil pessoas em 2012 nessa faixa e em 2013, número que aumentou para 871 mil pessoas. Em outras palavras: em um ano, 118 mil maranhenses ficaram mais pobres e caíram para as faixas classificadas como de miseráveis. Alagoas e Piauí, nossos parceiros de infortúnio, tiveram atuação digna de nota em relação ao Maranhão. É lamentável contabilizar isso, mas o Piauí, por exemplo, registrou um aumento de apenas 5 mil pessoas na população considerada miserável no estado.

Roseana é uma verdadeira fábrica de produzir pobreza. E ainda diz que foi o melhor governo da vida dela. Parem de mentir!

Em todas as vezes em que a governadora teve condições de fazer as coisas certas, sempre optou em fazer o pior. No caso do gás, como já detalhei em outros artigos, ela entregou a preciosa energia a amigos empresários que o usam unicamente para geração de energia em termoelétricas. Um crime, já que desse uso nada fica aqui.

Eu vinha ajudando a formatar um importantíssimo programa na área da energia que envolvia o uso do gás natural, da energia eólica e da energia solar, com ênfase no uso do gás. Avançamos muito e se consolidou a certeza de que essa modalidade de produção de energia poderá mudar rapidamente o nosso sofrido e pobre estado, a despeito do que diz Roseana Sarney.

Já mostramos, por exemplo, que se o gás for usado para atrair empresas, pode mudar o perfil de desenvolvimento do estado, agregando milhares de empregos, renda e substancial aumento da arrecadação própria de impostos.

Portanto, só pude agradecer o honroso convite que me foi feito por Flávio Dino, para assumir a pasta de Minas e Energia. Dessa forma, já estou me preparando para enfrentar mais um grande desafio em minha vida, pois antes do efetivo aproveitamento do gás maranhense, teremos que consertar toda a lambança feita no setor. O mesmo se dá com o aproveitamento eólico do estado, onde nada que o governo tentou fazer deu certo e até hoje não temos sequer um Mapa eólico do estado.

Para vocês terem uma ideia rasa do que é a questão, no Maranhão não temos nem mesmo um marco regulatório de energia. Por esse motivo, é possível fazer o que der na telha, para o bem ou para o mal. Nos últimos anos, principalmente para o mal.

Então, aceitei o convite certo de que vou auxiliar um governador sério, leal e inteiramente dedicado a mudar o Maranhão.

Pois bem, mudando de assunto, volto a mencionar a diferenciada experiência pública de Flávio Dino, talvez o único governador com atuação pregressa muito importante nos três poderes da república. Como deputado, soube apreender as aspirações dessa categoria parlamentar e a saga de cada um para prestar serviços onde foi votado e fazer um bom mandato, tendo um convívio republicano com o governo e com o governador.
Foi com essa experiência que Flávio desarmou espíritos receosos de tratamento diferenciado ou vingativo, mesmo com aqueles políticos que não o apoiaram na eleição. Também já disse em reunião recente com os prefeitos maranhenses que não se interessa pelo passado e nem se eles não o apoiaram na eleição. Pelo contrário, disse que trabalhará com todos os 217 municípios sem distingui-los, declaração que o fez receber estrondosa salva de palmas de todo o auditório. O mesmo aconteceu no almoço em que esteve com os deputados, ocorrido na última semana, em que também foi demoradamente aplaudido.

É claro que o governo é dele e o exercerá com toda a autoridade. Contudo, Flávio dá uma grande contribuição para que se consolide o entendimento de que agora os interesses do Maranhão figurarão acima daqueles que compuseram e comporão a oposição ou dos que o apoiam. Finalmente.

Agora vejam que o poderoso senador José Sarney, mesmo chegando à Presidência da República, nunca fez nada semelhante e, pelo contrário, com a perseguição lançada contra seus adversários, nunca contribuiu para a distensão política do Maranhão. No afã de ter o poder, até governador conseguiu cassar e produziu grande divisão no estado.

Foi necessário que viesse Flávio Dino, com sua esmerada formação pessoal, para pacificar o Maranhão e quem ganhará com isso será a população do nosso estado.

É claro que essa postura não exclui o fato de que o novo governo venha a apurar quaisquer malfeitos que restem evidenciados ou que aflorem no exercício do mandato e com o desenrolar de sua gestão.

Para finalizar, é curioso o comportamento da governadora Roseana Sarney nesses últimos dias do seu mandato. Ela vem se comportando como se quisesse demonstrar que está descontraída e de bem com seu governo. Mas está conseguindo transmitir o oposto, dando a impressão de estar imersa em muita tensão. Se não for coisa de marqueteiro e ela realmente estiver achando que fez um governo minimamente aceitável, isso só mostra mesmo sua grande alienação com o dia a dia da população. O mundo caindo ao seu redor, pobreza crescente, desmoralização do estado que só aparece na mídia por meio de notícias ruins em todos os setores, crimes e assassinatos sem controle, Pedrinhas… Enquanto isso, a governadora canta e toca violão.

Meu Deus, o que está acontecendo?

Zé Reinaldo: Finalmente o Reconhecimento

Por José Lemos *

josé_reinaldoAs urnas maranhenses abertas ontem finalmente fizeram justiça a um grande maranhense: o cidadão José Reinaldo Carneiro Tavares. Além de eleito Deputado Federal, recebeu votação expressiva, à altura da sua estatura de homem público comprometido com os maiores interesses dos nossos conterrâneos.

Não nos conhecíamos pessoalmente pelos idos do inicio deste milênio, por isso fui surpreendido por um convite dele, quando era Vice-governador e iria assumir o cargo de Governador, porque a titular do mandato iria se desincompatibilizar para concorrer ao Senado da República. Conhecedor do meu trabalho ele me convidou para conversar sobre o Maranhão. Fui com todo o prazer e tive a oportunidade de conhecer um brasileiro muito bem preparado tecnicamente e de grande sensibilidade. A partir dali eu aprendi a admirá-lo como homem público de grande envergadura.

Assumindo o Governo em abril de 2002, a grande sacada de Zé Reinaldo foi estabelecer uma meta de IDH a atingir. Na época o IDH era calculado por uma metodologia diferente da atual. A atual é mais sofisticada de um ponto de vista matemático e provoca um viés para baixo na maioria dos IDH aferidos pela metodologia anterior. Pela metodologia de então, o IDH maranhense de 2000 era de 0,636, o pior do Brasil. Vale ressaltar que também o era pela nova metodologia da ONU. Zé Reinaldo, inteligentemente, colocou no seu plano de Governo elevar aquele índice para 0,700 em 2006. Aquela passou a ser a “Meta mobilizadora” do Governo e todas as ações giravam em torno dela.

Para melhorar o indicador de renda, uma das componentes do IDH, recriou a Secretaria de Agricultura (Seagro), equivocadamente eliminada do organograma administrativo do estado pelo governo que lhe antecedera em 1998. Vinculadas à Seagro, criou as Casas do Agricultor Familiar (CAF). Contratou profissionais da área, e criou-lhes condições de trabalho. O Maranhão que havia chegado ao fundo do poço na produção agrícola, sobretudo aquela dos agricultores familiares em 1998, começou a recuperar a sua capacidade produtiva. Logo passou de uma posição marginal na capitação de recursos do Pronaf que detinha em 1999, 2000 e 2001, para protagonista, ao ponto de ter ficado na segunda posição em todo o Nordeste em 2006, tanto em número de contratos como em volume de recursos capitados. Por este instrumento elevou a renda dos maranhenses da zona rural e, por efeito transbordamento, para as zonas urbanas. O PIB per capita do estado deu saltos quantitativos importantes já a partir de 2004.

Um indicador importante do IDH é a esperança de vida ao nascer que tem a ver com o acesso ao saneamento, coleta sistemática de lixo e água encanada. Esses indicadores eram horríveis então. Seu Governo criou dois programas fundamentais: “Minha Unidade Sanitária” e “Agua em Minha Casa”. Programas que levaram saneamento minimamente adequado para as famílias rurais (onde a situação era mais crítica). Foi feito um programa intenso de perfuração de poços tubulares e construção de amplas redes de distribuição nos povoados dos municípios mais carentes. Famílias que nunca tiveram água nas torneiras passaram a tê-la. Um grande avanço!

Enfrentando a família que lhe fazia forte oposição, devidamente respaldada pelas ações do Presidente de então que, para não desgostar os novos aliados (aqueles mesmos que ele até bem pouco tempo não poupava adjetivos impublicáveis para desqualificar), conseguiu aprovar o Programa de Desenvolvimento Integrado do Maranhão, PRODIM. Com o Prodim foi possível, mesmo no pouco tempo em que o seu governo o administrou, levar ações estruturantes para os mais recônditos rincões maranhenses.

Zé Reinaldo teve a sabedoria de colocar pessoas competentes nos locais cruciais do Governo: Secretarias da Fazenda e de Planejamento. O Secretário de Fazenda conseguiu incrementar a arrecadação, sem aumentar alíquotas, apenas tornando-a mais eficiente. O Secretario de Planejamento agia com mão pesada no controle das despesas do estado, de tal sorte que os recursos propiciaram condições para que as politicas públicas avançassem. Tudo isso acontecendo apesar de uma divida contraída pelo governo anterior que sangrava o orçamento do estado em 50 milhões todos os meses.

Faltava ainda atacar na outra frente do IDH que era a elevada taxa de analfabetismo e a baixa escolaridade. Isso foi conseguido pelo mutirão de alfabetização que se implantou na época e pela construção de escolas de nível médio em todos os municípios. O Governo anterior as havia deixado em apenas 59 dos 217 municípios. Com todo este trabalho o IDH do Maranhão superou a meta, de acordo com a metodologia antiga, atingindo 0,705, e o Maranhão finalmente descolou da última posição do ranking que o colocava como o estados mais carente do Brasil.

Com este portfólio, Zé Reinaldo tinha garantida a eleição para o Senado da República se assim o desejasse em 2006. Mas de novo surpreendeu e pensando nas próximas gerações em vez do próprio próximo futuro, abdicou desta possibilidade para não deixar a administração em mãos não confiáveis que poderiam desmoronar tudo o que havia sido feito. Segurou até o final para ajudar a eleger o sucessor que poderia dar continuidade à sua obra. Conseguiu, numa proeza até então inimaginável: derrotar a família poderosa que dominava o estado. Infelizmente o seu trabalho não havia até aqui sido reconhecido pelos maranhenses. Reparo que é feito nestas eleições. Quem ganha com a eleição de Zé Reinaldo como Deputado Federal são os maranhenses e o Parlamento Brasileiro que não será mais o mesmo com o retorno desse homem de elevada qualificação e sensibilidade.

*Professor Associado e Coordenador do Laboratório do Semiárido (LabSar) na Universidade Federal do Ceará. http://www.lemos.pro.br;

‘PROFECIA’ DE ALEXANDRE COSTA SE REALIZA

Por José reinaldo tavares

O senador Alexandre Costa, de saudosa memória, disse em certa ocasião ao senador José Sarney que, quando os filhos dele estivessem mandando na política, isto seria o seu fim e do grupo comandado por ele. Isso ocorreu há muitos anos, tanto que alguns amigos informam que essa mesma frase teria sido dita pelo estimadíssimo Maranhãozinho, competente chefe do escritório de representação do estado no Rio de Janeiro, durante muito tempo. Hoje o fato finalmente se tornou realidade e Roseana Sarney – com a sua decisão do dia 4 – sela definitivamente o destino do grupo, prestando contribuição decisiva e irremediável para dar fim a tanto poder exercido durante tanto tempo.

A decisão de Roseana não teve motivação política. Foi pessoal, envolvendo apenas ela e o marido Jorge, que parece ser hoje quem realmente a influencia. E os motivos reais são ainda nebulosos, tanto que essa decisão ainda é inexplicável para o próprio pai e para todo o grupo, que se sente traído. Sarney lutou muito para evitar esse desfecho, mesmo porque acreditava que ela teria grandes chances de se eleger para o senado. Havia pesquisas nesse sentido. E ele, naturalmente,  considera que a presença no senado de alguém da família seria de fundamental importância para que ele pudesse manter o poder junto ao governo federal e, consequentemente, a blindagem de toda a família quanto à possíveis ações judiciais. Como Roseana tinha chances reais de ganhar a eleição para o senado, a decisão que tomou – tempestiva e longe dos desejos do pai – trouxe grande amargura para o chefe do clã. O que resta a fazer então?

Ele ‘jogou a toalha’, muito desgostoso, antes da sexta-feira, quando, estupefato, tomou conhecimento da decisão da filha, chegando a dizer que não aguentava mais e iria largar tudo.

O ato da governadora foi tão solitário que ela estava sozinha e muito nervosa no momento da divulgação. Se fosse uma decisão compartilhada e de comum acordo com os que tem poder no grupo, ela estaria acompanhada naquele momento. Lá não estavam nem José Sarney, muito menos Edison Lobão, João Alberto ou mesmo deputados estaduais e federais ligados ao grupo. Ela estava só. Tampouco o seu então candidato à sucessão governamental, Luís Fernando, estava lá.

É fato que Roseana já demonstrava sinais de cansaço. Já não exercia o governo na plenitude. Não aparecia e nem acompanhava o seu secretário de infraestrutura, travestido de candidato ao governo, no seu frenético esforço de se viabilizar, assinando ordens de serviço para todo o lado. Talvez Luís Fernando não tenha notado que Roseana pouco se importa com seus deveres de governadora. E só se aborrece com a rotina do governo. Sim, porque ela nunca prezou a classe política e sempre se aborreceu muito em ter que receber deputados e prefeitos.

Pois bem, com esse gesto Roseana abandona politicamente a família e toda a base política do grupo. A reforma que fez nos altos escalões, nomeando novos secretários, demonstra o seu enfado com tudo. Como explicar o nexo, a adequação das pessoas escolhidas para os cargos a que foram nomeados?

Enfim, penso que agora Sarney cogitará fortemente a viabilização de um nome para disputa ao senado como alternativa final para dar uma sobrevida ao grupo e proteger a família. E tem duas opções: ele mesmo disputar uma arriscadíssima eleição no Amapá, onde não é favorito de maneira alguma,  ou, junto a Lobão e João Alberto, lançar um candidato ao senado para preservar algum poder. Mas quem?

Enquanto isso, consta que na noite do último sábado aconteceu um encontro nada amistoso entre Luís Fernando e Roseana, no qual Fernando Sarney também participou. A reunião, ao que tudo indica, foi tensa, ríspida, com ataques de todos os lados e, quando saiu de lá, Luís Fernando definitivamente já não era mais candidato a nada.

É bem verdade que vocês, leitores e amigos, sabem que eu nunca acreditei na candidatura de Luís Fernando e que ele, portanto, seria fatalmente trocado na reta final. Ele não conhecia bem com quem lidava. Deveria ter ouvido os alertas, mas, ao contrário, ficava muito irritado.

Na atual conjuntura é possível presumir que nem Sarney e tampouco Roseana estão no poder como antes. Agora o dividem com Lobão e João Alberto. Ao que parece, Lobão assumiu força no grupo. Nunca existe vácuo de poder e sempre que há tergiversações, alguém o assume e o exerce. É sabido que Lobão nunca contou com a simpatia da dupla Roseana Sarney e Jorge Murad. Sempre sofreu hostilidades daqueles. E o mesmo acontecia com o filho Edinho Lobão. Então, com a confusão e a perda de controle causada pela tresloucada decisão de Roseana, sem apoio de ninguém, abriu-se um vácuo no grupo Sarney e Lobão se aproxima para assumir o controle. Como primeiro ato, trabalha pela candidatura do filho ao governo do estado, entrando com grande pique, efetuando ligações telefônicas para todo o mundo político maranhense perguntando como veriam uma candidatura de Edinho ao cargo de governador.

Agora resta o Senado. Quem poderia sair como candidato do grupo? Gastão já pulou fora. Sem nomes, procuram Castelo, tão perseguido por eles, quando exercia o cargo de prefeito da capital. Creio que o partido não entrará nessa aventura, mesmo porque existem exemplos em grande número de que, quando atraem os adversários, o fazem unicamente para depois lhe darem um ‘abraço de afogado’. Parece que a motivação principal do convite é a de apenas tentar dividir a oposição. E só.

Entretanto, nada apagará a realidade. Acabou o grupo Sarney, o poderoso grupo que mandou no estado do Maranhão por quase cinquenta anos. Bastante deteriorado, teve início o seu desmoronamento e esta deverá ser a última eleição que disputarão. E, como concretização da profecia de Alexandre Costa, fato que intitula este artigo, Roseana, sem ouvir os apelos do pai, desferiu o golpe fatal no seu grupo, entregando todos à própria sorte. Por que fez isso? A verdade só será conhecida com o tempo.Será assim? Não sei, mas as probabilidades são grandes. Vamos ver.

Por fim, mesmo considerando a factibilidade de todas essas movimentações, compartilho com vocês algo que me ocorreu: é também provável que Edinho Lobão acabe de fato concorrendo apenas ao senado, onde teria reais chances, se considerarmos a vantagem que a ‘máquina estatal’ poderá lhe conferir. Nesse caso, a candidatura ao governo, anunciada nesse momento, seria para impedir a deflagração de uma corrida de pretensos candidatos ao espólio de Roseana. Algo que eles deixariam para decidir depois, mas que por ora os mantém no controle do processo.

Eles sabem trabalhar a política, sem dúvidas.

UM FALSO DILEMA

José Reinaldo

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

A história se repete em tudo de forma idêntica ao que ocorreu em 2002. Explico: estou tratando do falso dilema de Roseana Sarney nesse chatíssimo ‘sai – não sai’ que ela fomenta nos seus jornais, como se realmente houvesse um impasse.

No mês de março de 2002, no último ano do seu segundo mandato como governadora do Maranhão, período próximo à data limite de desincompatibilização para concorrer à cargos eletivos, Roseana me chamou no Palácio dos Leões para comunicar que havia decidido ficar no governo. Eu entrei no jogo e lhe respondi que dessa forma eu também ficaria, acompanhando-a até o fim do mandato. Mas eu sabia que ela teria que sair, pois precisava desesperadamente de um mandato, precisava do prestígio do cargo de senador, já que assim estaria melhor protegida no processo que respondia sobre o caso Lunus. Portanto, eu sabia de antemão que ela teria que sair em abril para concorrer ao senado. E tudo não passava de estratégia para me desmobilizar, visto que eu não era o candidato dela. E assim foi. Ela efetivamente saiu, sem nova conversa comigo, e eu assumi o governo.

Agora o jogo é o mesmo. Arnaldo Melo nunca foi seu candidato para nada. E ela tenta desmobilizá-lo, principalmente em uma provável candidatura ao governo em eleição direta.

Passemos então, considerando o atual panorama, à análise das consequências desse ‘sair ou não sair’ para o clã. Convido-os a me acompanharem nesse exercício.

Ela, como o pai, só sairão candidatos ao senado se acharem que tem amplas oportunidades de vencer. José Sarney só foi derrotado em sua primeira eleição para deputado federal e não quer encerrar sua longa e vitoriosa carreira com uma derrota que ficará na lembrança de todos, obscurecendo totalmente sua vida política. A derrota poderia marcar esse caminho. Só que esse parece ser o caso no Amapá. Seria uma eleição de altíssimo risco de derrota e isso deve afastá-lo da disputa, além da fragilidade física, naturalmente, de um ser humano de 85 anos. Eu acredito que ele não concorrerá.

Já com Roseana é diferente. Para isso, precisamos compreender a diferença entre a eleição de governador e a de senador, principalmente a deste ano. No caso do governador, mas precisamente no caso do Flávio Dino, a eleição dele é uma decisão do eleitor, não é da classe política. Quem vai eleger Flávio é o eleitor, e não a classe política, repito. Nesse horizonte, pesa muito o péssimo governo de Roseana, suas decisões equivocadas, sua propaganda descolada da realidade, sua brutal rejeição e sua ausência. A televisão, principalmente os canais de maior audiência, como é o caso da emissora Rede Globo, ao mostrar com crueza a realidade da vida da grande maioria da população maranhense, despertou um sentimento de mudança muito forte.

No Maranhão, quem encarna essa mudança é Flávio Dino, com seu passado de juiz sério, com a maneira direta que se dirige à população, pela imagem de retidão e de honestidade, pela espontaneidade de seu abraço na pessoa humilde. Flávio Dino merecidamente conquistou a confiança e credibilidade da população. E isso está expresso em mais de ano de pesquisas que não mudam em relação a ele. O povo está decidido.

Com efeito, Roseana, que, como disse, tem o mesmo medo do pai – o de ser derrotada em uma disputa ao senado – só será candidata se achar que tem boas condições de vencer. Se ela não concorrer, isto se dará única e exclusivamente por medo da derrota. Não existe outra explicação. Ela sabe que a eleição para governador está perdida. Ela está no governo, é a governadora atual, fez tudo o que podia e não conseguiu fazer o seu candidato melhorar nas pesquisas. Porque então pensaria que sua permanência no cargo de governadora durante a eleição seria crucial para eleger seu candidato?

Portanto, considerando que o senado não é pouca coisa, uma eleição sua agora permitiria aos dois – ela e o pai – saírem dizendo: ‘Estão vendo, diziam que estávamos acabados e está ai a Roseana eleita senadora!’. Isto evitaria a morte política certa do grupo, adiaria o desfecho inevitável mais alguns anos e a manutenção razoável do seu poder. Logo, eles não estão em condições de recusarem essa chance, pois sabem que se Roseana não for candidata é o fim do que foi o grupo Sarney, agora já neste ano, a partir de abril. Politicamente serão abandonados rapidamente.

Ademais, se ela não for candidata, Edinho Lobão o será. Então se ele vencer, serão dois membros da família Lobão em altos escalões e o poder mudará de mãos, saindo da família Sarney, que o detém há quase cinquenta anos.

Infelizmente, mesmo com todo o caos a envolvendo, Roseana tem chances de ser eleita. A eleição para o senado é diferente. Grande parte dos eleitores não sabe o que faz um senador e não vê grande utilidade neles, já que desconhecem o benefício que eles podem gerar. Pensando assim, não se importam muito e em consequência disso, quem elege o senador é a classe política. Roseana sabe que, se tiver o apoio do futuro governador – que nesse caso será com certeza Arnaldo Melo, ela terá chances razoáveis de vencer.

Além disso, seu pai, José Sarney, se não for candidato, virá ajudar a filha e como tem muito prestígio com a classe política – coisa que Roseana não tem – será muito importante para sua eleição.

Então esse é o quadro, o resto é cosmética.

Mudando de assunto, é bom ficarmos de olho nesse projeto do PAC Mobilidade que o governo do estado pretende fazer. Esse projeto foi condenado pelos técnicos da prefeitura, quando anteriormente foram chamados pelo Ministério das Cidades a opinar. Agora ressuscita. Sabe-se lá por quê. O problema da Avenida dos Holandeses é fácil de resolver: basta dar solução adequada às interseções, fazendo os trevos que são necessários para dar fluidez ao tráfego. Implantar uma linha de BLT no meio da avenida – cuja demanda por ônibus não é tão grande como em outras áreas de cidade – é um contrassenso. Fazer isso com a cidade em fim de governo é criminoso. A Prefeitura de São Luís é quem autoriza qualquer obra no município. O governo estadual não tem poder legal para isso. E esse projeto, no mínimo, precisa ser analisado e debatido.

Para concluir, soube que a presidente Dilma, quando tomou conhecimento das declarações em que Roseana dizia que estava deixando um Maranhão de ‘primeiro mundo’, não acreditou e achou que cometera algum equívoco ao ler a nova pérola. No mínimo é fuga da realidade, deve ter pensado a presidente. Primeiro, porque essa nomenclatura tornou-se obsoleta há muito tempo, desde a queda da União Soviética e consequente reorganização do sistema econômico preponderante. Segundo, bem… Acho que todos sabemos muito detalhadamente o porquê.

UNICEF ENTRA PARA A OPOSIÇÃO

Por Zé Reinaldo Tavares

Amigos e leitores, parece que a oposição, essa praga que Sarney abomina, que só vive no pé dele, que – sem ter o que fazer – fica mostrando esses indicadores sociais tão ruins, recebeu mais um “aliado”. Isso para comprovar que o que eles tentam argumentar como sendo uma invenção nossa e que, perdidos e sem rumo, ao invés nos enredarmos em invencionices, deveríamos na verdade é abaixar a cabeça e nos curvarmos à “realidade da sua propaganda” que mostra um Maranhão idilicamente desenvolvido…

Pois bem, que chega agora é a Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância e Juventude-  a fim de declarar sua ajuda ao estado com os piores indicadores sociais na área da infância e juventude. Até parece uma conspiração. E tudo isso só começou, já disse Sarney diversas vezes, por causa de um outdoor colocado por mim em Brasília, ao tentar fazer o Senado aprovar um empréstimo do Banco Mundial que “dormia” há três anos na gaveta do mandachuva.

Enfim, vamos pensar no futuro do Maranhão que é melhor. O presidente Lula tentou fazer um projeto muito interessante, ideal para estados como o nosso, que tem indicadores semelhantes aos mais atrasados países africanos, na nossa área rural. A verdade é que os governos da oligarquia nunca olharam para o setor rural, com quase metade da população do estado, região que de fato foi a que mais sofreu com a irresponsabilidade e o abandono com que a que foi submetida.

A escolaridade média ali não passa de três anos, por exemplo, e todos os indicadores sociais nessa região são ruins e bem abaixo da média do estado que, diga-se de passagem, já são os piores do país.   Refiro-me à ideia de uso da mamona para produção de biodiesel que Lula lançou com muita pompa e chegou a patrocinar projetos, inclusive no Maranhão, sendo os principais, contudo, no Ceará e no Piauí.

Uma grande empresa chegou a se formar e até a construir uma grande refinaria no porto do Itaqui. A empresa, que faliu com o fracasso do projeto em que o então presidente da República tanto acreditou, chegou a ter ações negociadas na Bolsa de Valores. Era a Brasil Ecodiesel.

E como era o projeto? O governo cedia as áreas agrícolas e a gleba era dividida em lotes para cada família de agricultores familiares. Eram dezenas de lotes. Uma vila era construída e cada família tinha uma casa, assim com postos de saúde, escolas, centros comunitários etc.

O governo dava assistência técnica e sementes e a empresa comprava toda a produção e extraia o óleo da mamona, produzindo o biodiesel que vendia para a Petrobras, que por sua vez o misturava ao óleo diesel. Mas o projeto faliu e foi abandonado depois de algum tempo.

Por que um projeto aparentemente tão bom não deu certo?   Porque foi feito de maneira açodada e não consultaram a Embrapa. A regional do Piauí já havia pesquisado o óleo da mamona e já havia chegado à conclusão de que o óleo obtido era um produto muito ácido que não poderia ser introduzido nos motores, devido ao fato da corrosão resultante ser muito prejudicial a vida útil daqueles. Para corrigir essa acidez e possibilitar o seu uso, o preço resultante seria muito alto, impedindo o seu uso.

Hoje, porém, pesquisas foram realizadas com outras espécies, inclusive também por empresas internacionais e já identificaram as que produzem óleo com grande produtividade e sem esse nível de acidez. De modos que esse projeto, em outras bases, poderia fazer do estado um grande produtor de “energia verde”, já que um gigantesco mercado se abre agora para o bioquerosene (para ser misturado ao querosene de aviação), isto tudo baseado em motivos econômicos e ambientais, pois as empresas têm  curto prazo para se adaptarem às novas regulamentações globais de redução de emissões que podem alterar o clima.

Todas as grandes companhias aéreas no mundo já experimentaram o novo combustível com grande sucesso. Empresas gigantescas estão envolvidas nessa cadeia de produção e têm grande interesse nesse produto. Um mercado de bilhões de dólares.

Feita com critério e fiscalização, seria uma maneira relativamente rápida de aumentar a renda da agricultura familiar, com consequência imediata na melhoria da renda familiar e de outros indicadores sociais, além de criar um grande parque industrial no estado com amplos reflexos econômicos. É uma cadeia produtiva completa que poderia caber toda no estado, com um dos portos mais próximos do Hemisfério Norte, o grande mercado para o produto.

O antigo projeto que Lula tentou fazer poderia voltar forte e definitivo em novas bases. Existe um grupo estudando todos os ângulos desse projeto para uso em curto prazo.

Voltando à política, definitivamente são claros os sinais de que a candidatura de Luís Fernando chegou ao fim. A governadora, em reunião com deputados de sua base de apoio, disse que aquele perdeu 4 pontos em pesquisas que mandou realizar, mas que mesmo assim ela iria elegê-lo como governador na Assembleia, para que, como governador, pudesse ser reeleito em eleição geral. Mas ela (aliás, como sempre) diz uma coisa hoje e outra diferente para outro grupo. Pois bem, um dia antes desse episódio, quando um grupo de deputados foi reclamar da interferência de Luís Fernando na votação das regras da eleição indireta e estava atrapalhando a votação, ela pegou o celular e ligou para ele. Então – no viva voz, para todos escutarem a conversa por inteiro – desautorizou o seu próprio candidato.

Perdida, sem saber o que fazer, além de prometer emendas e ajudas, ela vai tentando manter o controle aos tropeções. E, apertados pelas pesquisas ruins, sempre tentam animar a sua tropa dizendo que o palácio nunca perdeu a eleição.

Mas eles não estarão lá. Quem estará é o deputado Arnaldo Melo, que só não estará se não quiser. Então, pelo andar da “carruagem” o candidato será este último, dificilmente será Luís Fernando.

Parece-me que em verdade Luís Fernando não é o candidato de José Sarney, nem de Lobão, nem de João Alberto, tampouco do grupo. Ele é o candidato de Jorge Murad, um estranho no ninho.

Enquanto isso, fatos novos ocorrem em São Luís. Com as últimas medidas e atitudes do prefeito, e com a nomeação de Geraldo Castro para a Educação e Helena Duailibe na Saúde, Holanda já melhorou seus índices de aprovação, Flávio subiu, Eliziane caiu e Luís Fernando já não chega aos 10 por cento.

A mudança vem aí…

QUEM DIRIA

Zé Reinaldo Tavares 

Tudo parece indicar o final de um ciclo de poder que transformou um estado naturalmente rico no estado mais pobre, mais atrasado e menos democrático do país, pois é dominado com mão de ferro por uma poderosa família que ainda hoje controla todos os poderes do estado.

O senador José Sarney que construiu o império, homem orgulhoso, não admite críticas e nem contestação e usa todo o seu poder não para beneficiar o estado, mas para perseguir “inimigos”. Inimigos são todos aqueles que mostram as inverdades de suas “conquistas” e de suas propagandas enganosas. Para manter sua natureza, agora mesmo continua tentando prejudicar a todos que ele assim classifica. É a vida.

A oligarquia já contratou empresas para devassar minha vida, para tentar encontrar mal feitos. Acho que no país não existe ninguém mais gravado do que eu. Como não conseguiu, usou seus poderes para envolver seus “inimigos”, como eu e Jackson Lago – e tantos outros – em operações tais quais as descritas no livro Assassinato de Reputações de autoria de Romeu Tuma Junior. O autor, policial de carreira, Ex-Secretário Nacional de Justiça e Diretor da Interpol, conta no livro com indignação o que sabe de atos puramente consideráveis como uma polícia de estado, política, de investigações com alvos determinados, como foi a Operação Navalha, entre tantas. Se José Sarney tivesse mais poder do que tem, nos liquidaria a todos.

Entretanto, hoje colhem o que semearam. Nunca esperaram viver no Maranhão um momento tão adverso. Veem perplexos que rapidamente estão perdendo o controle. E, perdidos, tentam de tudo, usam as velhas táticas do insulto e quando ocorre uma reação, se dizem perseguidos. O problema é que ninguém mais se comove. Tentando enganar o eleitor (que já se encheu da família e de seu poder arrogante), inventaram um candidato, tencionando mostrá-lo como uma figura diferente, uma “novidade”. Contudo, não possuem mais credibilidade para isso e o candidato, que viaja sem parar, fazendo campanha de governador à custa do erário, utilizando helicópteros (no plural mesmo), aviões, carros, e dinheiro público. Nos lugares em que chega, mesmo prometendo tudo o que pode, assinando ordens de serviço, mas mesmo assim assiste à indiferença do público e, sem carisma, não consegue despertar nenhuma emoção ou até mesmo curiosidade por parte do povo.

Estamos em fevereiro e as pesquisas mostram os mesmos números há mais de ano e meio. O que aumenta é a rejeição, tanto em relação à governadora e futura candidata ao senado, como ao candidato dela ao governo.

Não bastasse isso, chegam-nos relatos de que o candidato está condicionando a manutenção dessa candidatura, se Roseana desde já elegê-lo ao governo na eleição indireta a ser realizada na Assembleia Legislativa quando ela renunciar ao cargo para se candidatar ao senado em abril. Então, é o caso de perguntar: Será que combinaram algo com Arnaldo Melo, presidente da Assembleia? Como tirar o Arnaldo da jogada?

O senador José Sarney já viu que, mesmo que Roseana seja eleita, o grupo acaba. Só ele mantém o grupo, mais ninguém.

E ele, será que se elege? Não é fácil, mesmo no Amapá. Ele precisará realmente ser candidato único, apoiado por todos, senão o risco é muito grande e, nesse caso, o orgulho não permite que seja derrotado justo em sua última eleição. Por isso, já acenam para o governador amapaense Camilo Capiberibe, oferecendo ajuda total do governo federal, caso haja o apoio. Todavia, o senador Capiberibe já ajudou Sarney a se eleger senador muitos anos atrás e depois teve seu mandato cassado por este a quem ajudou. É da natureza dele…

E o senador Randolfe do PSOL vai deixar passar? Será difícil, mas Sarney tem Lula sempre pronto a ajudá-lo. Nada é impossível. Mas para isso, terá que ir morar no Amapá, abandonando a campanha do Maranhão, tão decisiva para eles. É um jogo de perde e ganha. Nada é perfeito.

Enquanto isso, por aqui já aconteceram fraudes e uso descontrolado de dinheiro público por parte da oligarquia. Tudo comprovado pelo Chefe do Ministério Público Federal e Roseana só não foi cassada pelo jeitinho dado nos tribunais.

Com efeito, a derrama de dinheiro público em larga escala virá. Mas o desespero da oligarquia – que não quer largar o poder – é tão grande que a oposição tem que se preparar com muito cuidado, experiência e competência, para permitir a livre expressão do povo.

Sem fraude, eles sabem que será muito difícil. Contudo, o desespero, o poder, a arrogância e a certeza da impunidade que gozaram até aqui derrubam qualquer limite.

Todo cuidado é pouco.