Flávio Dino: Virando a página da vida

flavio_2303-199x30055216Em artigo publicado no portal Maranhão da Gente, o presidente da Embratur, Flávio Dino* fala sobre o trabalho que desenvolveu na estatal e sobre os planos de trabalho para os próximos 11 meses, antes de sair do cargo para disputar as eleições ao governo do Maranhão. Segue abaixo:

Neste mês de janeiro, tenho me concentrado na finalização de um planejamento detalhado para o trabalho da Embratur nos próximos 11 meses. Quero deixar um plano de voo bem traçado para análise do meu sucessor, a ser escolhido pela presidenta Dilma nas próximas semanas. Este ano será decisivo para a continuidade do crescimento da nossa economia do turismo. A Copa do Mundo será o principal capítulo da trilha de megaeventos que o Brasil vem seguindo desde que começou a Conferência ONU Rio+20, em 2012.

Nos 31 meses em que estive à frente da Embratur, tive como objetivo principal aproveitar a audiência mundial voltada a esses eventos para criar uma forte corrente de interesse em visitar o Brasil. Ajudamos a realizar a Jornada Mundial da Juventude, da Igreja Católica, e a Conferência Rio+20, além de termos atuado fortemente em atividades promocionais relativas à Copa das Confederações.

Quando assumi a Embratur, todos os Escritórios Brasileiros de Turismo (EBTs) estavam fechados. Após um procedimento altamente complexo, abrimos 13 representações do turismo brasileiro, alcançando os principais países emissores de turistas ao Brasil. Agora estamos presentes na Ásia, Américas e Europa, com executivos capacitados e motivados.

Fortalecendo as parcerias com os estados e com o setor privado, criamos o “Goal to Brasil”, um novo formato de seminário promocional, que acabou sendo premiado em três categorias do Stevie Awards 2013 – um prêmio internacional concedido na Espanha às melhores ações promocionais.

Porém, aquele que considero o principal legado da nossa gestão é a ênfase na articulação entre cultura e turismo. Estamos lançaando o Programa de Promoção das Cidades Históricas, do qual São Luís fará parte. Esse programa se soma a editais de patrocínio para ações culturais, apoio a festivais de filmes brasileiros, projeção mundial da nossa gastronomia, shows de música brasileira, apoio à promoção de festas juninas, divulgação da nossa literatura e muitas outras iniciativas. Com isso mostramos que o Brasil é muito mais do que sol e praia, e que somos, de fato, uma civilização original, tropical e humanista – como dizia o genial Darcy Ribeiro.

Não posso deixar de mencionar o programa Turismo sem Limites, que propiciou a pessoas com deficiência viverem e difundirem experiencias absolutamente emocionantes, como retratado na reportagem de um jornalista paraplégico que fez mergulho em Fernando de Noronha.

Fico feliz em saber que essas ações obtiveram resultados e entregarei o posto a meu sucessor com todos os indicadores do turismo internacional em melhor situação que os encontrei.

Em dezembro último, ultrapassamos o patamar de 6 milhões de estrangeiros em nosso país, um marco histórico jamais alcançado antes. Na última sexta-feira, o Banco Central informou que o volume de dólares deixados em nosso país por turistas estrangeiros em 2013 também foi o melhor de nossa história, feito especialmente importante se considerada a desvalorização do real. Em 2013, com menos dólares os estrangeiros compraram mais reais, e ainda assim seguimos crescendo em dólares, o que é revelador da pujança do nosso turismo receptivo internacional.

Em termos de exposição de notícias positivas sobre o Brasil no exterior, que é uma das missões primordiais da Embratur, também obtivemos sucesso aferível em números. No período em que estive à frente da autarquia, conseguimos dobrar o volume de reportagens sobre os nossos destinos turísticos em veículos estrangeiros, com expressiva presença do Maranhão.

Nas primeiras semanas de fevereiro, passarei a me dedicar exclusivamente a um novo projeto: ajudar o Maranhão a encontrar um caminho de desenvolvimento, igualdade e democracia, por intermédio da nossa vitória eleitoral no dia 5 de outubro.

Desejo que este ano seja fecundo para o turismo brasileiro e que todas as boas sementes plantadas por empresários, profissionais e servidores possam brotar. É hora de lutar para que no Maranhão floresçam todos os sonhos e esperanças plantados por diferentes gerações ao longo das últimas décadas.

*Flávio Dino foi deputado federal (PCdoB-MA) e ex-juiz federal, é presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo).

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DANOS MORAIS

Por José Reinaldo Tavares

O prejuízo é imenso para todos os maranhenses. Hoje a palavra ‘Maranhão’, em qualquer parte do mundo está associada à barbárie, ao primitivismo, à pobreza, ao atraso, à incompetência, às oligarquias e à corrupção.

A situação que vivemos aqui, antes de conhecimento apenas local, hoje é de conhecimento mundial. De modos que o que acontece aqui nas cadeias e fora delas sem nenhum controle espantou e revoltou a ONU, a OEA, a Organização dos Direitos Humanos e (por que não dizer?) a população mundial.

É óbvio que isto mancha e turva a própria imagem do Brasil, que tanto se esforça para ser reconhecido como um dos mais importantes do mundo e que persegue o reconhecimento de ser nomeado Membro Permanente do Conselho de Segurança da ONU. Temo que agora isso se transforme em apenas mais um sonho, afastado pela realidade do que se passa no Maranhão e pela crueza de imagens terríveis que descrevem o que acontece há mais de dois anos nas cadeias maranhenses, sob a vista grossa dos oligarcas que dominam o estado há tanto tempo.

A presidente Dilma sabe e sofre com isso, algo que sem dúvidas deve deixá-la revoltada com tanta incúria e incompetência, mas que absurdas conveniências políticas a manietam e a impedem de explodir em cólera contra os atuais mandatários do Maranhão. E o pior é que ela sabe o quanto ganharia no eleitorado brasileiro, se jogasse fora as conveniências políticas e eleitorais e se declarasse enojada com o que acontece aqui. Se assim agisse, cresceria muito mais no conceito dos brasileiros. Mas a amizade do ex-presidente Lula com o senador José Sarney a segura.

Contudo, a revolta é tão grande que a Ministra dos Direitos Humanos, não se conteve e condenou severamente o governo estadual, recomendando que Roseana Sarney agisse como governadora e não ficasse tentando se esquivar de sua responsabilidade, jogando a culpa no governo federal, na justiça, nos bandidos, no ex-secretário de Justiça. Aqui para nós, só faltaram figurar na lista o Sampaio Correia e o Papa. Todos culpados, menos ela.

E a nossa imagem perante o mundo? Imaginem um jovem querendo fazer intercâmbio ou tentar uma vaga em universidade estrangeira ou um emprego e sendo olhado de esguelha ao dizer que é do Maranhão. Não sou advogado, sou engenheiro, mas esse prejuízo à imagem dos maranhenses, mesmo dentro do país, me pergunto, não configuraria o que é tipificado como passível de gerar danos morais? Já pensaram se pudéssemos fazer essa extrapolação? Seriam milhares de ações cobrando indenização pelos prejuízos causados a imagem da população do Maranhão… Não seria justo?

Digam-me qual o maranhense que não está muito prejudicado em sua imagem pela irresponsabilidade de Roseana Sarney?

Não bastasse isso, é de dar pena a insólita argumentação da governadora, ao querer explicar à sua maneira o descalabro que é o seu governo. Até o ministro da Justiça, Luiz Eduardo Cardoso, demonstra isso ao escutar uma intervenção dela em uma pergunta dirigida por uma repórter a ele.

E o pior é que, tentando justificar as mortes e a violência reinante no estado, Roseana tenta convencer a todos de que nunca tem responsabilidade sobre nada. Sem preparo ou competência, ela acaba por dizer sandices, mas desta vez foi demais. A governadora ofereceu uma resposta tão inverossímil que serviu apenas de galhofa em todo o país. E, claro, de mais desmoralização. Ela atribuiu a onda de violência e a barbárie dentro e fora dos presídios do estado à grande riqueza que o estado agora experimentava no seu governo e ao consequente aumento populacional por esse fato motivado.

Será que surtou com o estresse? Que resposta mais maluca foi essa! Na realidade que ela parece não viver mais o estado está cada vez mais pobre e com indicadores sociais (todos eles!) ficando piores a cada ano. Nenhum melhorou. Esse tipo de conversa só serve de atestado de indigência mental para todos os maranhenses que a têm como governadora. Hoje nem vou repetir esses indicadores aqui…

E aquela ridícula entrevista em sua TV, dizendo que está indignada, quando o seu semblante mostrava tudo menos indignação? Indignada mesmo Roseana? Ficou chocada com o quê? Como é que pode ter sido surpreendida, se o fato vem se repetindo ha anos, desde 2011, sem a menor reação, sem providência nenhuma para evitar a repetição?
Isso é mais do que uma evidência da alienação da governadora e sua equipe próxima, que pouco se importam com nada e creem que a atuação do sistema de comunicação próprio seria suficiente para abafar o problema e evitar a responsabilização da ilustre governadora.

O processo de deterioração da autoridade governamental é tão sério que Roseana está sendo comparada a Maria Antonieta, rainha francesa que morreu decapitada e que ficou famosa por uma frase (que hoje se sabe que não a proferiu) em que dizia à população que se não tivesse pão, que comessem brioches.

Não poderia ser diferente, já que, diante do caos em que o estado encontra-se envolvido, vem à tona uma inoportuna licitação com o objetivo de adquirir lagostas, caviar e champanhe, entre outros itens para a mesa do palácio. A pilhéria então é tão grande que se comenta até mesmo sobre a frase real a ser modificada pela governadora. Seria assim: “se não têm água, que bebam champanhe!

Perdeu a noção!

Continuando os bordões, poderíamos citar o famoso e bem sucedido filme brasileiro Tropa de Elite, estrelado por Wagner Moura no papel do Capitão Nascimento, um oficial duro e honesto que, quando testava novos soldados para integrar o BOPE e os considerava inadequados para essa difícil função, interpelava o pretendente e dizia : “pede para sair, pede para sair!”

Pede para sair, Roseana!

E para terminar: Só temos aqui 4.663 presos. Uma das menores populações carcerárias do país. Mas tivemos 60 mortes em presídios estaduais em 2013. Isto compreende quase um terço de todas as mortes ocorridas no país em 2013 nos presídios. O segundo estado em mortes é o Ceará, com 32, contudo o estado possui 19.392 presos. São Paulo vem em terceiro com 22 mortes, mas com uma população carcerária de 210.677 presos. Pernambuco, por fim, tem 10 mortes para 29.704 presos. Eis alguns dados estatísticos que nos ajudam a formular uma ideia mais concreta sobre o completo descontrole do Maranhão neste e em muitos outros setores…

Não há explicação, Roseana. Aliás, há.

Trata-se de incompetência e falta de trabalho.

Em carta, bispos fazem crítica indireta à Roseana e culpam desigualdade social por violência

Do Boa Informação

Em carta pública, os bispos do Maranhão culpam a desigualdade social e a falta de ações de Estado e Justiça pela recente onda de violência. A carta é uma resposta também à declaração da governadora Roseana Sarney (PMDB), que associou a riqueza aos crimes no Estado.

“É verdade que a riqueza no Maranhão aumentou. Está, porém, acumulada em mãos de poucos, crescendo a desigualdade social. Os índices de desenvolvimento humano permanecem entre os mais baixos do Brasil. Não é este o Estado que Deus quer. Não é este o Estado que nós queremos”, diz o texto, assinado por 13 bispos, com data de quarta-feira (15).

Ainda segundo os bispos, há no Estado uma “morosidade da Justiça” e “ausência de políticas públicas” e cita que os presos são, em sua maioria, negros e pobres. “Isso é resultado de um modelo econômico-social que está sendo construído.”

“A agressão está presente na expulsão do homem do campo; na concentração das terras nas mãos de poucos; nos despejos em bairros pobres e periferias de nossas cidades; nos altos índices de trabalhadores que vivem em situações de exploração extrema, no trabalho escravo; no extermínio dos jovens; na auto-destruição pelas drogas; na prostituição e exploração sexual; no desrespeito aos territórios de indígenas e quilombolas; no uso predatório da natureza”, afirma o texto.

Os bispos dizem que ainda a emoção e a dor pela morte da menina Ana Clara, vítima de um ataque a ônibus há duas semanas, e os mortos no complexo penitenciário de Pedrinhas seguem vivas.

A Igreja também pretende realizar um ato pela paz e pela justiça no Estado no próximo dia dois.

“Neste dia – Festa da Apresentação do Senhor, Luz do mundo, e de Nossa Senhora das Candeias –, pedimos que se realize em todas as comunidades uma caminhada silenciosa à luz de velas, por ocasião da celebração. Às pessoas comprometidas com esta causa e às que não puderem participar da celebração sugerimos que acendam uma vela em frente à sua residência”, pede o texto.

Flávio Dino abre debate sobre as diretrizes para o Desenvolvimento do Maranhão

O desenvolvimento econômico e social do Maranhão foi discutido por Flávio Dino na manhã de ontem (16).

Da Maranhão da Gente

MAdaGenteO desenvolvimento econômico e social do Maranhão foi discutido por Flávio Dino na manhã desta quinta (16). Como pré-candidato ao governo do Maranhão, Dino afirmou que, para que o estado se desenvolva com igualdade, é necessária uma nova Política de Desenvolvimento para o Maranhão.

O pré-candidato apresentou três tarefas fundamentais que tratam do desenvolvimento do Maranhão através de uma nova forma de administrar. Para ele, é necessário abandonar a concentração de riqueza na mão de poucos e é preciso promover a distribuição das riquezas entre todos os maranhenses.

A primeira das diretrizes apresentadas por Dino trata da economia interna do Maranhão. Para ele, é necessário expandir o mercado interno com a consolidação das atividades econômicas já existentes (a exemplo da agricultura familiar e empresarial) associadas às políticas sociais.

A segunda diretriz seria investir em ciência e tecnologia para expandir conhecimento e técnica de desenvolvimento da agricultura. A terceira seria concatenar todas as ações em torno do fortalecimento da indústria local com modelo inclusivo e democrático, “que liberte o Maranhão da monotonia dos discursos baseados nos “grandes projetos” redentores,” disse Flávio Dino.

Cadeias produtivas

A defesa das riquezas do Maranhão e sua distribuição entre todos os maranhenses é um dos pontos mais defendidos por Flávio Dino durante o movimento Diálogos pelo Maranhão que, durante o ano de 2013, percorreu todas as regiões do estado discutindo um novo modelo de desenvolvimento.

O mapeamento e o investimento nas cadeias produtivas reais do Maranhão seriam o principal vetor para o desenvolvimento industrial do Maranhão. Relacionando primeiro, segundo e terceiro setor, Dino apresenta uma visão global do desenvolvimento econômico do estado.

No mesmo sentido, fala do investimento em políticas sociais que tenham em vista a distribuição de renda no Maranhão. “Para superar essa quadro, como os fatos recentes estão demonstrando, não basta fazer o “bolo” da riqueza crescer se ele não é distribuído com justiça e eficiência,” comentou Flávio Dino.

De acordo com o pré-candidato do PCdoB, é preciso implantar em conjunto com todas essas iniciativas os Arranjos Produtivos Locais (APLs), que garantam mais oportunidade de emprego e geração de renda.

Troféu macabro

Por Eliane Cantanhêde / Folha de S. Paulo

BRASÍLIA – Segundo a governadora Roseana Sarney e seus aliados, o problema do Maranhão é que está “mais rico”, tem o 16º PIB do país e cresceu 10,3%, a maior taxa do Nordeste. O Maranhão, porém, disputa com Alagoas o troféu de pior em tudo. Vejamos.

Feudo dos Sarney, o “rico” Maranhão tem a pior renda per capita (R$ 360) da Federação. Depois vêm Piauí e a onipresente Alagoas.

O efeito óbvio é no IDH estadual, que mede o desenvolvimento humano e o bem estar das pessoas. Aí, Alagoas “vence” e fica em último. Maranhão, em penúltimo.

Em número de miseráveis, Maranhão e Alagoas se alternam no primeiro e no segundo lugar. Pelo PNUD, a taxa de pobreza extrema no Maranhão é de 22,5%.

Saneamento e educação: 96% das casas do Maranhão não têm saneamento decente e quase um quinto dos maranhenses acima de 15 anos não sabem ler nem escrever.

E o desastre nos testes de aprendizado? Pelo Pisa, programa internacional de avaliação de estudantes, o Maranhão ficou em penúltimo em leitura, matemática e ciências, as três áreas consideradas, e só não tirou o troféu de pior do país porque foi “vencido” por Alagoas.

Não custa lembrar que educação e desempenho escolar apontam para o futuro. Ou seja: ruim está, melhor nenhum dos dois vai ficar.

Há uma diferença, entretanto, entre os lanterninhas brasileiros. Alagoas, hoje governado pelo ex-senador e ex-presidente nacional do PSDB Teotonio Vilela, é vítima de oligarquias que fatiaram aquele lindo Estado e vêm-se alternando no poder desde sempre. Já o Maranhão é propriedade de uma única família há meio século.

Sarney carimbou seu nome em escolas, hospitais, vilas e avenidas, mas isso é só ilustração. O pior foi eleger testas de ferro para o governo: seu médico particular, seu carregador de malas… Todos comem lagosta e caviar. O Estado virou isso.