Escravidão e obsoletismo

Por José Reinaldo
O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

É preciso estar muito perdido, sem rumo e evidentemente sem nada a dizer para fazer esse tipo de campanha contra Flávio Dino. Acusam-no de ter recebido na campanha passada apoio financeiro de uma empresa que teria uma subsidiária (que não doou nada) acusada de ter mantido trabalhadores em situação equivalente à escravidão. A empresa que realmente doou recursos para a campanha nunca foi acusada de nada. Agora me expliquem de que está sendo acusado Flávio Dino. O que ele cometeu de errado ou ilegal?

Eu respondo: nada!

Só o desespero pode levá-los a tal campanha. E Roseana, que recebeu dinheiro grosso de Eike Batista – esse sim – com largos interesses em licenças ambientais para seus empreendimentos fornecidas pelo governo e construindo uma termoelétrica alimentada a carvão mineral altamente poluidor em plena ilha de São Luís?

Isso é ético? Ele é um empresário ético? E daí?

E as construtoras que trabalham para o governo, que têm obras obtidas através de vultuosas dispensas de licitação, contestadas pela Controladoria do Estado, suspeitas de ilegalidade, e que (está provado!) recebiam pagamento do estado em um dia e no outro depositavam na campanha de Roseana grandes e suspeitas quantias? Ademais conjetura-se que muitas dessas obras nem foram construídas. Tudo isso é completamente ilegal. Se os órgãos de fiscalização tomassem ânimo para investigar esses fatos – já denunciados largamente pela oposição – tudo isso seria facilmente constatado.

Mas vamos mudar de assunto, pois os 72 hospitais que Roseana prometeu fazer e entregar em 2010, e que alguns poucos que foram inaugurados em um dia com muita festa, foram fechados no dia seguinte, correm o risco de, mesmo que fiquem prontos, tornarem-se todos obsoletos em pouco tempo. O melhor que esse governo faria seria nunca ter iniciado a construção deles, o que foi feito sem planejamento, com localização escolhida sem critério, com dispensa de licitações, sem transparência e a preços exorbitantes. E, como mostrou o Globo Repórter, a saúde pública se tornou um sofrimento terrível para as pessoas mais necessitadas.

Ancoro esses argumentos na premissa de que está em curso uma transformação sem precedentes na vida de qualquer cidadão do mundo.

Vejam o que está prestes a acontecer:

“Hospitais serão obsoletos em dez anos”, diz cientista da Intel.

Americano que coordenou pesquisa em oito países, incluindo o Brasil, afirma que tecnologia permitirá a ampliação dos tratamentos domésticos.

A Intel divulgou nesta segunda-feira uma pesquisa sobre o papel da tecnologia na inovação dos tratamentos de saúde. O estudo foi conduzido pelo instituto Penn Schoen Berland, sob a coordenação do americano Eric Dishman, gerente geral do grupo de Ciências da Saúde e Vida da Intel. Mais de 12.000 pessoas foram entrevistadas em oito países: Estados Unidos, Japão, França, Itália, Brasil, China, Índia e Indonésia. Segundo o levantamento, mais de 80% das pessoas disseram estar otimistas em relação ao uso da tecnologia na saúde. Metade dos entrevistados acredita que os hospitais tradicionais se tornarão obsoletos no futuro. Em entrevista exclusiva ao site de VEJA, Dishman diz que o Brasil é simpático às novas tecnologias. Confira parte da entrevista a seguir:

…O estudo prevê a capacidade de produzirmos um diagnóstico em casa, de forma independente, por meio de dispositivos de uso doméstico. Por exemplo: através de um smartphone ou tablet seria possível coletar dados sobre a saúde de uma pessoa e compartilhar essas informações com o médico. Mais da metade dos participantes da pesquisa afirmou que o hospital se tornará obsoleto. Isso significa que, no futuro, muitos dos tratamentos poderão ser realizados em casa e somente a tecnologia permitirá essa migração.”

…”O que deve acontecer com os hospitais nesse novo cenário? Os hospitais serão utilizados apenas em casos extremos. Se você precisar fazer uma cirurgia, então terá que ir a um hospital, é claro. Agora, se o problema de saúde for uma gripe, por exemplo, não será necessário ir ao hospital. Alguns países, como os da Escandinávia, estão fechando leitos hospitalares e investindo em tratamento domiciliar. As consultas acontecem via videoconferência. As visitas são virtuais e utilizam alguns softwares inteligentes capazes de personalizar o tratamento para cada paciente, ainda que o diagnóstico seja o mesmo. Esse é o futuro. Em dez anos, os tratamentos de saúde acontecerão em casa, e não no hospital.”

Em países geograficamente extensos e populosos, como é o caso do Brasil, há quem tenha que viajar horas para chegar até um hospital. As consultas via videoconferência poderiam resolver esse problema.

Nosso estado está preparado para isso? É o caso de perguntar. O Maranhão atual não está preparado para quase nada. Quase tudo terá que mudar. E é isso que a população quer, exausta com tanto descaso.

E o estado piorou muito em desigualdade medida pelo Índice de Gini. Agora é o pior do Brasil. Mas, também, em que indicador não somos os últimos ou quase isso?

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