Mandela vive, artigo de Flávio Dino

Flávio Dino

O mundo inteiro prestou homenagens ao líder socialista Nelson Mandela exatamente no Dia Mundial dos Direitos Humanos, dia 10 de dezembro. Esta coincidência chama a atenção para os principais motivos pelos quais, durante toda esta semana, festejamos a história de lutas de Nelson Mandela e do povo da África do Sul.

Prestar homenagem a esse grande líder popular significa mais que lembrar sua vida marcada pela busca da igualdade social e de um verdadeiro regime democrático – no qual todas as pessoas tenham os mesmos direitos. Homenagear Mandela significa, acima de tudo, celebrar a vitória de valores como a coerência e a justiça.

Perseguido, preso por 27 anos e encarado por muitos poderosos como uma pessoa “perigosa”, Nelson Mandela transformou sua atuação política contra o apartheid em uma fantástica lição de solidariedade. Ele poderia ter feito acordos vantajosos com o sistema dominante, e com isso abreviado seu sofrimento no cárcere, porém avaliava essa hipótese como uma traição ao seu povo, a quem considerava dever solidariedade incondicional. Ou seja, ele não aceitou atenuar a sua dor às custas da continuidade das dores e humilhações alheias.

Outro ensinamento deixado por Mandela merece amplo destaque, porque nos ensina o caminho para transformações sociais. A partir da união da sociedade sul-africana, Mandela trouxe ao país um modelo de tolerância e superação da violência generalizada.

Com a construção de alianças amplas, ele mostrou que para vencer a barreira do preconceito, a informação manipulada e as forças que defendiam o atraso, era preciso fazer política sem ódio e com olhos sempre voltados para o futuro. Eleito presidente, foi esse o papel fundamental de Mandela na democratização da África do Sul: priorizar o combate ao inimigo principal, no caso o racismo institucionalizado.

Esse genial estadista passou a vida a provar que a igualdade não podia ser para alguns. A igualdade deveria ser verdadeiramente para todos, e isso incluía aqueles que outrora haviam sido opressores do povo sul-africano. “Eu lutei contra a dominação dos brancos e lutei contra a dominação dos negros. Eu cultivei a esperança do ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas e em harmonia e têm oportunidades iguais. É um ideal pelo qual eu espero viver e alcançar. Mas, se preciso for, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer,” resumiu o próprio Mandela.

O melhor modo de celebrar a existência desse politico exemplar é aprender com sua história. E, em consequência, transformar em prática cotidiana a coragem para lutar por princípios, ideias, valores. Nesse mundo em que, como diz Marx, “tudo que é solido desmancha no ar”, vidas como a de Mandela dão concretude e eternidade à crença e à esperança de milhões de oprimidos. E assim que Mandela vive.

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