Ausência+Indiferença=Pânico

José Reinaldo
O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

É inexplicável o que acontece com Roseana. Dona de um complexo de comunicação, com jornais, televisões e rádios, ela procura fugir de suas responsabilidades como governadora e, mesmo com o clima de medo e pânico que envolveu a cidade, ela não aparece nem toma nenhuma providência para acalmar a população. Nunca antes neste país aconteceu algo semelhante. Ela comete, no mínimo, crime de responsabilidade!

E olhem que foi avisada do que iria acontecer, porque durante o seu governo em 2010 já havia acontecido a mesma coisa, na mesma gravidade e proporção, inclusive com uma quantidade imensa de decapitados em Pedrinhas. Foi necessário vir um pastor para acalmar a situação, na verdade, apenas um bandido travestido de pastor. O governo, se paralisado estava, paralisado ficou. E pior: nenhuma providência foi tomada, nada. Com efeito, o estopim para o que aconteceu na semana passada já estava aceso há muito tempo. Agora explodiu de novo.

A responsabilidade da governadora é direta e completa. O governo de Jackson Lago estava com projetos prontos para construir algumas novas prisões no interior e, ao ser retirado e substituído por Roseana Sarney, tudo foi paralisado, isso sem contar os diversos colégios, hospitais de referência… Só com Pedrinhas é impossível evitar o que está acontecendo, pois esse é um mundo complexo e reunir quadrilhas rivais, sem critério, no mesmo lugar é convidá-los para grandes conflitos.

Há poucos dias um homem acusado por delitos insignificantes foi colocado junto a assassinos e bandidos de grande periculosidade e acabou degolado. E nada disso fez o governo, indiferente e omisso, se mexer. Nem uma palavra sequer.

Daí decorre a culpa pessoal, direta mesmo, da governadora que vive em campanha, de itinerante em itinerante, como se merecesse um mandato de senadora. Se não dominassem os meios de comunicação, se o fato acontecesse no meu governo ou no de Jackson, por exemplo, estaria armado um alarido ensurdecedor pedindo a saída do governador.

O fato foi tão grave que obrigou o Marafolia, empresa da própria família, a cancelar um show da consagrada Ivete Sangalo, que já estava sendo vendido. Mas Roseana, cercada por duzentos policiais militares no palácio, acha que foram apenas boatos. Um boato com muitos mortos e feridos tão violento que assustou a todos e paralisou a cidade, já muito apavorada com a insegurança pública crescente. Dentro de pouco tempo um recorde será quebrado na Grande São Luís, que terá mais de cem mortes violentas em um mês. Em meados de outubro já ocorreram mais assassinatos do que no ano passado inteiro. E para Roseana Sarney foi apenas um boato…

E qual foi sua resposta ao pânico da população? Assinou um decreto considerando o Maranhão em estado de emergência e o governo federal, apreensivo com a fraqueza do governo estadual, manda, mais uma vez, soldados da Força Nacional. Mas isso é ótimo para eles, pois o governo poderá repetir o que mais gosta de fazer: dispensa de licitações, permitindo aos empreiteiros amigos mais algumas obras (cujos preços não se saberão…).

Mas isso acalmará a população e trará mais segurança aos maranhenses? Como, se nenhuma medida para melhorar a segurança das ruas está sendo providenciada? Nenhum policial a mais, nenhum recurso a mais. Nada. Nenhuma nova estruturação da força policial do estado está sendo providenciada. Como então alguma coisa poderá mudar em curto prazo?

São apenas medidas midiáticas. É novamente o governo se escondendo e tentando enganar a população maranhense, pois nada acontecerá. Falta seriedade a uma gestão que é apenas irresponsável, indiferente e omissa.

Como o governo do Estado ficou inerte, o Tribunal de Justiça, a Assembleia Legislativa, a OAB e outras entidades procuraram dar uma resposta à população, mesmo sem estarem dotados dos meios que só o governo estadual tem. Apenas ocuparam o vácuo de poder devido à omissão do governo, tentando acalmar a população assustada e em pânico. Uma ação sem precedentes na história recente do Maranhão.

Mas esse procedimento não se restringe à segurança pública. Lembrem-se de que ela também já assinou alguns decretos considerando estado de calamidade pública a falta de água na cidade e até marcou data para resolver o problema. O que aconteceu é que agora tudo piorou e já falta água todos os dias em toda a cidade. Na saúde, com dezenas de hospitais construídos por dispensa de licitações, o que se vê é o aumento de sofrimento da população que, para o mínimo de atendimento, tem que viajar para municípios maiores, porque o hospital inaugurado com festas em um dia está fechado no dia seguinte, como mostra a televisão diariamente.

O que se vê ainda é a mentira da despoluição das praias, que teve até banho de mar de autoridades, tudo devidamente registrado pela televisão, mas que continuam poluídas e piores a cada dia, porque nada é feito.

E a educação, que está se tornando uma tragédia de grandes proporções para o desenvolvimento do estado. Os dados do censo de 2010 mostram que em 36 municípios do estado, entre 80% e 89% da população, acima de 25 anos, são analfabetas e não têm o ensino fundamental completo. Logo na idade mais produtiva da vida… E o que faz o governo? Nada.

E para encerrar, Roseana assiste, inerte, ao crack tomar conta de parte expressiva da juventude mais carente sem, também, nada fazer.

Ou seja, não existe governo no Maranhão. Não se trabalha, não se aparece e não se diz a que veio. Mas quem paga é a população maranhense.

Para que serve mesmo?

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