Céus abertos ao turismo, artigo de Flávio Dino

Por Flávio Dino

Flavio dinoCom nossos mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, que se espalham do frio do Cone Sul das Américas ao clima quente e úmido em que estamos inseridos no Maranhão, é inimaginável pensar em turismo no Brasil sem o transporte aéreo. Esse insumo básico para o turismo no Brasil e para o Brasil – o avião – tem sido motivo de preocupação por parte da Embratur nos últimos anos. Por razões comerciais, as empresas têm concentrado voos em poucos aeroportos, de maior fluxo de pessoas, como forma de potencializar ganhos diante do aumento de custos provocado pela alta do dólar.

Menos voos em menos aeroportos é um problema grave para o turismo em um país continental como o nosso, ainda mais visando a Copa do Mundo que se avizinha. Das 12 cidades-sede da Copa, espalhadas por todas as regiões do país, apenas 4 tiveram aumento da oferta de assentos nos últimos 12 meses.

Em dezembro, quando houver o sorteio de chaves da competição, saberemos as seleções que jogarão em cada cidade. Mas, somente ao final da primeira fase, o turista saberá em qual cidade sua seleção jogará as oitavas, quartas ou semifinais. Ou seja, só a partir daí poderá comprar suas passagens de avião, se desejar acompanhar integralmente o time do seu país. Nas condições atuais, o estrangeiro que se dedicar a seguir sua seleção terá de ultrapassar as barreiras de preços muitas vezes proibitivos ou de conexões absurdas país afora.

Nada que, infelizmente, já não faça parte da rotina de quem viaja de avião pelo país. Após o crescimento impressionante de 30 milhões para 100 milhões de passageiros/ano em apenas uma década de política de distribuição de renda, o fluxo de passageiros corre o risco de voltar a estagnar. A elevação de preços, redução de voos e excesso de conexões estão entre os gargalos. Uma hipotética viagem entre dois pontos do Nordeste – São Luís e Aracaju, por exemplo – representa uma romaria pouco agradável de aeroporto em aeroporto, com duração inacreditável.

Ações imediatistas de algumas empresas acabam por multiplicar os problemas. Cabe ao Estado atuar para determinar ou estimular soluções que garantam o fácil trânsito de turistas pelo Brasil. Por isso, a presidenta Dilma lançou o programa de regionalização dos aeroportos, visando investir R$ 7 bilhões na reforma de 270 aeroportos de médio e pequeno porte.

Na semana passada, estive com o ministro Moreira Franco, da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, e pude acompanhar o andamento do programa. Tive a satisfação de verificar que alguns aeroportos maranhenses estão entre os prioritários. Em nosso estado, as obras serão iniciadas com maior rapidez em Santa Inês e Bacabal, por necessitarem de intervenções menos complexas. Os aeroportos de Balsas e Barra do Corda também estão na lista prioritária da SAC, mas precisam de obras mais complexas, que exigirão mais tempo. Em fase mais avançada está a construção de um novo terminal de passageiros em Barreirinhas e a liberação da pista.

Essas obras, tão sonhadas por empresários e trabalhadores de todo o Maranhão, vão dinamizar a vida social e econômica de cada uma dessas cidades e seus entornos. No caso dos Lençóis Maranhenses, a Embratur vê um potencial gigantesco a ser explorado com a vinda de estrangeiros para a Copa. Fortaleza é, junto com o Rio de janeiro, a cidade que mais receberá jogos na Copa do Mundo.

Mas não basta ter mais aeroportos se não houver mais voos e mais aviões. Por isso, precisamos fortalecer economicamente as empresas existentes, abrir ainda mais o nosso mercado à concorrência e utilizar todos os recursos do programa lançado pela presidenta Dilma destinados ao apoio a novas empresas de aviação regional. São passos fundamentais para que o turismo continue a quebrar recordes ano a ano, como tem sido até aqui.

Presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), foi deputado federal e juiz federal

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