A Semana Social Brasileira no Maranhão

Por Flávio Dino

O Brasil vivencia novos caminhos para o desenvolvimento do país e das pessoas que nele vivem. Milhões de empregos foram gerados, o salário mínimo aumentou muito acima da inflação e melhorou a distribuição de renda. Temos a perspectiva de alcançar o desenvolvimento de muitos para muitos, rompendo com o antigo modelo político de raízes oligárquicas, com muitos privilégios e riquezas para poucos.

Este ano, a Igreja Católica promove a 5ª Semana Social, cujo tema está afinado com os principais anseios da sociedade: “Estado para que e para quem? Caminhos para uma nova sociedade do bem viver.” A comunidade religiosa discute, em eventos regionais, como o realizado em Santa Inês neste final de semana, que papel o estado tem na vida dos cidadãos.

A Igreja Católica, coerente com a opção preferencial pelos mais pobres e oprimidos anunciada nos Evangelhos, tem papel de protagonismo nesta discussão. Aqui no Maranhão, muitos são os problemas a serem debatidos para a superação de quadros sociais devastadores, que nos impulsionam à luta pela modificação de antigas práticas políticas que perpetuam realidades inaceitáveis, a exemplo de o nosso estado ser o campeão brasileiro de hanseníase.

Os índices socioeconômicos do Maranhão, sempre nas últimas posições dos rankings nacionais, demonstram o quanto é urgente que se apresentem novas soluções para as políticas públicas do Maranhão, a partir do fim do ciclo oligárquico. Vejamos a situação da educação básica: no Maranhão, um em cada cinco habitantes em idade adequada não foi alfabetizado, segundo dados do IBGE. No quesito saneamento – essencial para que os maranhenses levem uma vida digna, – o mesmo IBGE aponta que 93,5% dos municípios não possuem rede de esgotos adequada.

Tenho andado pelo Maranhão, dialogando com a população e defendendo verdadeiras mudanças nas práticas políticas e no modelo de gestão. No último final de semana, estive em Balsas e, em conversa com o bispo Dom Enemésio Lazzaris, falamos das realidades da diocese que ele dirige.

Dom Enemésio me relatou que uma das maiores preocupações da comunidade católica da região reside no fator fundamental para o desenvolvimento de qualquer sociedade: a educação. De fato, não adianta ter investimentos e dinheiro circulando se a população não consegue participar do processo, melhorando suas vidas e de suas famílias. Além da questão econômica, é a educação que pode fornecer as condições para a formação de cidadãos autenticamente livres, aptos a um permanente olhar crítico e à ação transformadora.

Levando o movimento Diálogos pelo Maranhão para diferentes municípios, tenho ouvido depoimentos que emocionam e fortalecem a irresignação diante da crônica negativa de direitos ao povo. Isso se traduz na esperança de que é possível avançar, com políticas governamentais que partam do diagnóstico sincero dos problemas e que tenham a coragem para enfrenta-los, virando a página da desigualdade.

Momentos como a Semana Social da Igreja Católica são muito importantes para fortalecer nos nossos corações a fé no amanhã.

Flávio Dino, 45 anos, é presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), foi deputado federal e juiz federal

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