Páscoa, tempo de renascimento e partilha

Por: Flávio Dino 

MauricioAlexandre_Visita_Via_Sacra (20)Na última sexta-feira, celebramos a Paixão de Cristo. Os mais de 2 bilhões de cristãos do planeta exaltaram o desprendimento e entrega de Jesus a seu próprio destino. Sendo Ele o filho de Deus vivo na terra, podendo livrar-se de qualquer intempérie, decidiu seguir o caminho que se apresentou diante de Seus olhos. Morreu na cruz, como morriam, em seu tempo, os ladrões. Foi torturado e morto no calvário lembrado em vários pontos do Brasil na última sexta, como na emocionante Via Sacra do Bairro Anjo da Guarda, da qual tive a alegria de participar.

Em todos esses Autos de Paixão, os cristãos reverenciam a fé de Jesus em uma causa: a de amar-nos uns aos outros, como Ele nos amou. E qual ensinamento Deus nos dá com a crucificação e subsequente ressurreição de Jesus?

O teólogo Leonardo Boff faz uma interpretação interessante do significado desse fato: ‘Deus ressuscitou a vítima e com isso não defraudou nossa sede por um mundo finalmente justo e fraterno que coloca a vida no centro e não o lucro e os interesses dos poderosos’. Afinal, Deus poderia ter feito seu Filho morrer de qualquer forma menos sofrida ou tê-lo feito rei em qualquer um dos povos da época. Mas Jesus foi feito um homem simples, criado na Terra como um carpinteiro e escolheu não reinar, mas justamente enfrentar os poderes da época. E mais, podendo ter usado toda sua força divina contra os que o acusavam, escolheu cumprir a punição a que foi sujeitado por desafiar os poderosos. Com sua ressurreição, Deus nos apontou um caminho, segundo Boff: ‘Só ressuscitando os vencidos, fazemos justiça a eles e lhes devolvemos a vida roubada, vida agora transfigurada’.

E todos que nós que seguimos os ensinamentos de Cristo, qual caminho devemos seguir nesse deserto? Qual é o mundo que Deus espera que trabalhemos para construir? Basta atentar-nos ao Evangelho para saber como viveram os Apóstolos após a ressurreição de Cristo. Em Atos (4,32): ‘A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum’. Ou seja, era um mundo de partilha e comunhão, portanto de justiça plena.

Morto na cruz, Jesus renasceu na comunhão que seus discípulos fizeram de seus princípios. Dois mil anos depois, este segue sendo o desafio de todos nós que comungamos da Paixão de Cristo: lutar para colocar em prática Seus ensinamentos, única forma de vivenciá-los. Nesse caminho seguimos todos os homens de Fé.

Um dos mais belos hinos da liturgia cristã da Páscoa canta que ‘A vida e a morte travaram um duelo/O Senhor da vida foi morto mas eis que agora reina vivo’. Assim, o hino mostra que nem a morte é capaz de interromper essa busca. Pois, como diz o iluminado bispo Dom Pedro Casaldáliga: ‘A alternativa cristã é ou a vida ou a ressurreição’. Sigamos na luta por ela.

Flávio Dino, 43 anos, é presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), foi deputado federal e juiz federal

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