Diálogos pelo Maranhão

Por: Flávio Dino

Há praticamente 50 anos, um político assumiu o poder no Maranhão prometendo renovação. O Maranhão sofria, segundo ele, ‘olhando o Brasil e o Nordeste progredir, enquanto não podia sequer caminhar’. Passaram-se quase cinco décadas. O Brasil tem um progresso maior ainda, agora com democracia e com uma inclusão social que tirou cerca de 20 milhões de pessoas da pobreza. O Nordeste, estigmatizado por décadas como a região mais atrasada do país, agora tem níveis de crescimento econômico maiores que o da média nacional, somente comparáveis com os da China. Além disso, tem sua política revitalizada por novas lideranças que romperam longos ciclos de atraso e miséria.

E o Maranhão? Bom, por aqui, seguem no comando os mesmos que 50 anos atrás prometeram renovação. Em todos esses anos, não faltaram oportunidades para colocar o Maranhão no trilho do crescimento. No entanto, seguimos frequentando as últimas posições em índices como: extrema pobreza; sub-habitação; percentual de trabalhadores com carteira assinada; acesso da população ao ensino superior; expectativa de vida; mortalidade infantil; saneamento; qualidade da educação; quantidade de médicos por habitante e quantidade de policiais por habitante.

O ‘contraste de suas terras férteis, vales úmidos’ com a ‘miséria, angústia, fome e desespero’ segue aguçado em nosso estado. Temos boas condições climáticas; tradição na agricultura, pecuária e pesca; muitos rios e lagos; o segundo maior litoral do Brasil; complexo portuário, ferrovias, estradas e energia, enfim condições logísticas para gerar desenvolvimento. Temos uma posição geográfica privilegiada no território brasileiro, por estarmos num dos pontos mais próximos do mercado americano, europeu e do canal do Panamá (caminho para o Oceano Pacífico). Toda essa riqueza gerada aqui no Maranhão, no entanto, não chega ao nosso povo, que continua pobre.

Mas há boas novas. Os ventos da mudança não param de soprar. Podem ser ouvidos em conversas nas feiras, nas escolas ou saindo da voz das urnas que derrotaram a oligarquia nos maiores municípios maranhenses ano passado. Há, claramente, um clamor por novos rumos no ar que agora começa a tomar corpo. É o que confirmei na última sexta-feira, quando estive em Imperatriz para o lançamento do Movimento Diálogos pelo Maranhão, bem como em Açailândia e Itinga ontem.

A presença de lideranças dos mais diversos partidos, de correntes ideológicas as mais distintas, de trabalhadores e empresários, intelectuais e fiéis das mais diversas religiões mostra, para mim, que há um sentimento amplo e consistente, enraizado nos mais diversos grupos sociais, que quer a mudança.

Pudemos sentir em cada discurso, cada abraço e cada olhar o orgulho de ser maranhense e a esperança mesclada ao compromisso de virar essa página de injustiça social e abandono, e iniciar outro capítulo, no qual a riqueza do estado servirá a todos os maranhenses, e não a uma pequena elite de poderosos.

Mudança. Palavra simples, que nesses dias, representa a esperança de tantos que acreditam que é possível eliminar o descompasso entre o que somos e o que podemos ser. Palavra que começa a ser implantada pela própria forma como nos organizamos, abertamente, com propostas e projetos que podem ser debatidos e analisados pela população e com abertura para participação de qualquer cidadão.

Queremos levar para discussão propostas concretas e viáveis que pensamos para o Maranhão e que surgiram a partir de uma série de debates, reuniões e fóruns de discussão na internet. Os diálogos atingirão todas as regiões do estado, pois somente respeitando a realidade singular de cada região poderemos construir um Maranhão de todos nós. Juntos, faremos a mudança!

Flávio Dino, 43 anos, é presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), foi deputado federal e juiz federal

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