O grito na garganta

Editorial do Jornal Pequeno

Fazendo um paralelo entre o poder econômico e o poder popular, o presidente da Embratur, Flávio Dino, fez, durante o seminário de seu partido, o PCdoB, uma pregação que pode calar no coração dos maranhenses: evitar os 50 anos da oligarquia Sarney no Maranhão. Falta pouco para que se complete meio século no poder da mais vasta aliança política estadual do Nordeste, quiçá do Brasil.

Esta aliança, de posse de todos os cargos federais e estaduais no Estado e sempre adotando métodos reprováveis de cooptação política, envolveu os prefeitos, vereadores, deputados e lideranças de todos os municípios. A partir do jugo do Poder Executivo, entranhou-se perversamente no Legislativo e no Judiciário, serviu-se da ditadura e de todos os governos pós-democráticos do país para dissolver lideranças emergentes no Maranhão, corromper partidos políticos e garantir a manutenção do mais longo reinado de poder no Brasil.

Como um polvo, a oligarquia estendeu seus tentáculos a todas as organizações da sociedade civil, de sindicatos a associações de moradores, de clubes de mães a associações de futebol de areia, de grupos folclóricos a escolas de samba em todo o estado. Vê-se, então, que a tarefa de evitar os 50 anos da oligarquia Sarney não é apenas um caminhar, pois implica em mudança de mentalidade dos maranhenses, em carregar uma mensagem de libertação em todos os dias que se sucederem daqui até a eleição de 2014.

Toda essa arregimentação fisiológica não impediu que a oposição vencesse a eleição de 2012 nos principais colégios eleitorais do estado, inclusive a capital São Luís, e no segundo maior colégio eleitoral do estado, o município de Imperatriz. No entanto, os partidos no governo elegeram maior número de prefeitos e vereadores, o que torna o caminhar de Flávio Dino mais longo e mais urgente. O risco é a alienação política persistente nos pequenos colégios eleitorais do Maranhão, que são a imensa maioria.

O presidente da Embratur entende que o processo de mudança no estado começa agora, em 2013, com a adoção de um modelo de gestão pública moderno e eficiente a ser implementado pelos novos gestores. Nas diversas prefeituras em que venceu, a oposição tem dois anos para mostrar que é capaz de governar bem melhor que o grupo Sarney, o que nos parece uma tarefa muito fácil. Outro alerta é a formação de alianças políticas amplas, sem as quais não é possível vencer.

O governo tem a caneta, o dinheiro, os cargos, o partido no poder nacionalmente (PT), a ascensão aos demais poderes; enfim, uma força de manipulação e cooptação imensurável, sem contar a dependência física e financeira dos municípios. Mas tem contra ele a História, as notícias de corrupção e fisiologismo, de nepotismo e atraso. E tem, principalmente, esse grito de liberdade engatado na garganta do povo do Maranhão.

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